Poço
- Quase Amor
- 25 de abr. de 2024
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É no fundo do poço,
no encontro comigo que se dá no escuro,
que qualquer movimento ou fôlego
se faz notar mais seguro.
É no silêncio profundo do poço
que meus sentidos se aguçam
e minhas partes se reconhecem
— sou então continente, sou chão firme
para erguer meus alicerces.
É ali que me integro e a vida se basta;
onde tateio mais do que questiono,
onde sinto mais do que penso ou hesito,
e onde ouso trilhas inexploradas.
No escuro, no vazio, o eco em mim ressoa
nos tímpanos das minhas emoções.
Ouço as vozes e percebo
— atônita, aliviada e certamente perdida —
que elas me dizem sobre a não linearidade
da vida e o quanto sou muitas, mesmo uma.
Falo e ouço outra linguagem,
livre de palavras e cheia
(tão cheia!) de sentidos despertos.
No fundo do poço,
lugar que tanto me amedrontou
e hoje se faz novo ninho,
me abraço e me amo como nunca.
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