Altar
- Quase Amor
- 13 de dez. de 2019
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meu altar é rústico.
pedra sobre pedra,
ergue-se à luz da lua.
folhas secas o adornam
onde as mãos do vento
as quiseram colocar.
embrulho sentimentos em oferta,
deixo-os envoltos em silêncios.
não busco palavras que os definam,
o peso que os faz concretos
já me basta.
o grito de uma tempestade a caminho
rasga o céu em luz pulsante,
aprecio o breu de me ver sozinha
e a total pertença a esse instante orante.
oferto à natureza um coração que muito sente,
peço que o enterre em suas entranhas
e o enraíze até que dele nasçam flores.
de peito vazio,
volto a mim mesma
– plena,
como só quem deixa ir sabe
se encher do que permanece.
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