Pele
- Quase Amor
- 17 de out. de 2019
- 1 min de leitura
vou arrancar a pele que me cobre,
tal como a cobra faz quando a carcaça
contém seu crescimento.
vou abandonar as marcas da minha história
e me permitir ter uma imagem nova.
vou arrancar aos poucos, no entanto.
paciente – pedaço a pedaço –,
entregarei à terra cada célula morta.
farei disso um ritual.
dançarei sobre a máscara que abraçava a face
com pés suaves e humor debochado;
o canto dos pássaros será meu embalo
e, como eles, vou me restabelecer
em um ninho escondido.
encolhida, vou deixar vir
cobertura renascida à alma que me habita.
testarei com ar de infância sua flexibilidade
e vou saltar tão alto quanto nunca fiz!
quero uma pele nova para nela escrever
a história que ainda não vivi.
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