maturidade
- Quase Amor
- 2 de jun. de 2023
- 1 min de leitura
estou amadurecendo,
tal como a fruta cujo viço
já apresenta a passagem do tempo
– uma banana dois ou três dias depois da feira.
estou aceitando as marcas como o registro
justo do processo de me tornar
quem eu sequer imaginei um dia
– tão real que não é produto dos planos.
estou me vendo mais completa
– e por "completa", percebo o que me falta,
posto que a única completude possível
é aquela em que vemos os espaços
a serem preenchidos
– e entendemos, e acolhemos, e aceitamos
o fato de que a vida é justamente isto:
a busca por preencher.
não convém tentar possuir a vida,
ela é aquilo que nos convida, provoca, incomoda
a sempre considerar o que pode ser.
aprendo, com as marcas da maturidade,
os contornos que me expressam no mundo,
mas não me encerram.
sou imparável enquanto viva,
aprendiz em honrar o meu caminho.
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