semente
- Quase Amor

- 22 de mai.
- 1 min de leitura

há sementes que não germinam,
mas carregam um mundo inteiro.
dizem que caem em solo despreparado
intencionalmente, sábias daquilo que
a todos habita na ignorância.
são sementes que se alimentam do futuro
– de planos que se despedaçam para recebê-las.
quando elas secam, murchando a vida,
fazem nascer perguntas que antes não existiam.
essas sementes, nem sempre desejadas,
enfraquecem certezas antes de partir.
dizem que são abençoadas
por carregarem a potência de
a tudo mudar, e nada exigir.
talvez sejam caprichosas
e escolham bem onde enraizar
– ou talvez não possam ficar
ainda que queiram.
um dia, hei de encontrar uma e engoli-la!
quero então regá-la com lágrimas
até enraizá-la em mim.
se a vir crescer assim,
me ouvirão dizer
ter comido
um milagre.





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